quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Porque ensinar os meios de comunicação?

A pergunta “porque ensinar os meios de comunicação?” feita por Masterman (1993) coloca a comunidade educativa diante de um desafio complexo num momento em que os meios de comunicação de massa fazem parte da vida dos sujeitos em quase todo o mundo. A televisão, o telefone, o rádio e a mais recentemente a internet fazem parte do cotidiano das pessoas atendendo as suas mais diversas necessidades (entretenimento, trabalho, estudos, entre outros). No entanto, para além da utilização básica desses meios houve sua apropriação de suas potencialidades para fins comerciais e disputa de poder que não é facilmente percebido pela sociedade.

No Brasil existem casos clássicos de manipulação de opinião pública para promoções eleitoreiras de determinadas candidaturas em detrimento de outras, principalmente através de grandes redes de televisão como a TV Globo. Um dos exemplos que podemos destacar foi em 1994 quando o dono das organizações globo, deu uma entrevista ao Jornal da tarde de 06 de Abril, fato relatado pelo Jornalista Eugênio Bucci, Professor de ética jornalística em seu livro “Sobre ética e imprensa”:

Perguntou o repórter: “Mas o senhor reconhece que a Rede Globo e o Globo influenciaram o público para eleição de Collor?”
Respondeu Roberto Marinho: “Sim, nós promovemos a eleição do Collor e eu tinha os melhores motivos para um grande entusiasmo e uma grande esperança que ele faria um governo extraordinário” (Trecho extraído da revista “Filosofia Ciência e vida” Ano 1 nº 04.)

Nesse cenário há uma preocupação crescente de estudiosos na área de educação e comunicação sobre a forte influência desses meios de comunicação de massa na vida das pessoas conforme podemos observar nos trabalhos de Aparici, Matilla e Masterman que alertam sobre a necessidade de desmistificar a pretensa neutralidade dos meios de comunicação de massa apontando para a necessidade do desenvolvimento de uma relação mais próxima entre educação formal e os estudos das mídias. Masterman sustenta sete argumentos para que a educação formal em todo o mundo possa considerar no ensino os meios de comunicação de massa:

1.O elevado índice do consumo das mídias e a saturação destas na sociedade contemporânea.
2.A importância da ideológica das mídias e sua influência como empresas de conscientização.
3.O aumento da manipulação e fabricação da informação e sua propagação pelas mídias.
4.A crescente penetração das mídias no processo democráticos fundamentais.
5.A crescente importância da comunicação e informação visual em todas as áreas.
6. A importância de educar os alunos para que ajam frente às exigências do futuro.
7.O vertiginoso incremento das pressões nacionais e internacionais para privatizar a informação.

Cada um desses itens se complementam e refletem em cada sociedade de forma diferenciada de acordo com as dificuldades de cada contexto, na realidade brasileira o desafio maior se apresenta diante de um quadro social em que a maioria da população possui um baixo índice de educação dificultando ainda mais uma leitura crítica dos conteúdos da mídia. Além disso, as leis e diretrizes (leis de diretrizes e bases da educação, Plano Nacional de Educação, Parâmetros Curriculares Nacionais, entre outros) que fundamentam o ensino de forma geral não trazem orientações sobre essas questões. Neste sentido, há um completo despreparo da comunidade educativa para lidar com as influências das mídias no cotidiano escolar, que abrange atuação dos professores e dos alunos.

Referência:
masterman, L (1993).La ensenãnza de los medios de comunicación. Ediciones de La Torre. Madrid. artículo. ?Porque?

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