quarta-feira, 16 de julho de 2008

A técnica e o desafio do século

Resenha: capítulo V - As técnicas do homem
Autor: Jacques Ellul
Livro: A técnica e o desafio do século

No texto “As técnicas do Homem” Jacques Ellul discute como as técnicas modificaram a vida do ser humano, abrangendo não somente a dimensão de sua vida produtiva, mas todas as outras dimensões na sociedade moderna européia. O autor radicaliza essa influencia colocando o homem como objeto da técnica. É importante destacar o contexto histórico vivido pelo autor, num período em que as grandes guerras mundiais trouxeram reflexões profundas sobre a dominação, o poderio bélico e as mazelas do pós-guerra.
Na sociedade moderna a vida humana foi fortemente modificada por uma nova forma de organização baseada numa concepção da técnica enquanto respostas para os problemas sociais. A técnica traria ao homem a sua libertação racionalizando e especializando as atividades básicas, como por exemplo, o trabalho. No entanto, o trabalho nas fábricas racionalizados de forma extrema pelo Taylorismo, é um dos exemplos clássicos de como a técnica pode trazer malefícios para ser humano. Ellul chama atenção para as técnicas na área da psicologia que tinha o intuito de atingir a moral dos sujeitos para que estes pudessem suportar as terríveis condições de vida trazidas pela exploração de seu trabalho tirando-lhe o máximo possível.
O contexto social mais amplo é também modificado pela técnica quando as máquinas passam a entrar na casa das pessoas modificando os hábitos e costumes. Através dos meios de transporte permitiu o contato com diferentes países e a conquista de novos espaços a tal ponto que não existe mais lugares solitários. Outra máquina importante nesse contexto foi o relógio que permitiu a racionalização e controle do tempo na modernidade trazendo mudanças ainda maiores para as atividades cotidianas.
As mudanças advindas com a técnica foram tão profundas que criaram um novo ambiente social exigindo do homem um esforço para adaptação nesse novo contexto. Quando não ocorre essa adaptação dentro da normalidade desenvolvem-se as neuroses e doenças psíquicas. Isso ocorre porque o novo ambiente consistia num ambiente desumano de exploração física e psíquica dos sujeitos.
Ellul considera que a massificação é um fenômeno que marcou a sociedade através de seus instrumentos e meios de comunicação de massa que trouxe uma característica de coletividade, trazendo como conseqüência o controle e a massificação das informações.
Diante dessas questões problemáticas e complexas seria preciso o desenvolvimento de estudos que pudessem da conta dessa realidade em favor da libertação do homem frente ao domínio da técnica. Assim autores teorizaram sobre as “técnicas do homem” que trariam as respostas para essas inquietações, propondo que as mazelas trazidas pelas técnicas deveriam ser respondidas pelas próprias técnicas, mas as técnicas “do homem”. Segundo o autor essa possibilidade é muito reduzida, pois é impossível falar de humanismo técnico.
Nesse sentido todas as ações humanas e sociais se desenvolvem baseados em procedimentos técnicos, principalmente na utilização de métodos métricos que podem racionalizar e tornar os processos mais eficazes comprovados cientificamente. O autor destaca esses processos técnicos desenvolvidos para atuar nos seguintes âmbitos sociais que pretendem adaptar o homem ao seu meio social: escola, trabalho, orientação profissional, propaganda, no divertimento, no esporte, na medicina.
Apesar da visão chocante e determinista que o autor apresenta não podemos deixar de observar que muitas de suas argumentações e críticas são coerentes e trazem contribuições para a compreensão de muitos fenômenos sociais influenciadas pela racionalidade técnica até os dias atuais. Podemos destacar:
- O excesso de especialização das áreas do conhecimento que são fortemente fragmentadas pela racionalização.
- Os problemas e neuroses que até os dias atuais fazem parte de uma sociedade em constantes transformações técnicas e tecnológicas.
- A influência dos meios de comunicação de massa para formação de opinião e convencimento e sugestão, principalmente na utilização de técnicas na área da psicologia.
- Os métodos desenvolvidos nos processos educativos formais que trazem muitos aspectos herdados de uma racionalidade técnica e de socialização.
Uma das críticas que podemos desenvolver frente à argumentação do autor consiste na radicalização da idéia que a técnica domina o homem sem que este possa se libertar e pensar criticamente, mas somente reproduzir o que está posto sem possibilidade de superação. Enquanto educadora pensar dessa forma não nos permite uma prática educativa crítica e libertadora. Apesar de ser um processo difícil acredito que não é impossível.
Outra questão refere-se à concepção de técnica apresentada pelo autor, temos a impressão de ser algo com uma vida própria, algo monstruoso que não foi produzido e criado pelo homem. Afinal, a técnica acompanha toda a vida humana desde as comunidades mais primitivas ajudando-o a compreender a natureza e sua relação com os outros homens. É bem verdade que sempre existe o risco de utilização da técnica para dominação e degradação da natureza como verificamos em nossos dias, mas reduzi-la a isso não nos permite ver iniciativas que ajudam a manter a vida humana.
Por fim, as idéias trazidas pelo autor nos fazem refletir sobre o processo de mudanças advindas com os artefatos tecnológicos de nosso tempo que rapidamente estão evoluindo.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Tecnologia e Inclusão Social

Hoje discutimos o livro Tecnologia e Inclusão Social: a exclusão social em debate na aula cultura Digital (Mark Warskchauer, 2006).



O autor apresenta uma visão geral da Inclusão Digital, mapeando alguns pontos chaves que permeiam as discussões em diferentes partes do mundo, entre estes pontos foram destacados:

* Disponibilidade de equipamentos
* Capital social e humano
- Letramento (depende do poder econômico público-alvo)
- EAD: Tivemos uma visão geral de superficialidade em relação aos conceitos apresentados pelo autor. Em relação a tema da EaD perbecemos que o autor não apresenta argumentos suficientemente fortes para chegar as suas conclusões principalmente porque seu exemplo mais contudente refere-se a alunos (as) da educação básica na qual a bastante tempo já foi mostrado que a EAD através do computador deve ser dirigidos a educação de adultos. Isso porque a EaD exige um amadurecimento e autonomia por parte de seu público.

Sobre o letramento foi explicitada duas correntes predominante nos Estados Unidos: New literacy studies (teoria crítica, antropologia, linguística, socioliguistica) e literacy (tradicional).

Quais os desdobramentos? O que que significa a Inclusão Digital na sociedade que tanto buscamos?

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

cultura audiovisual

"Sem dúvida, a cultura audiovisual, teve sua revanche histórica no século XX, em primeiro lugar com o filme e o rádio, depois com a televisão, superando a influência da comunicação escrita nos corações e alma da maioria das pessoas. Na verdade, essa tensão entre a nobre comunicação alfabética e a comunicação sensorial não meditativa determina a frustração dos intelectuais com relação à influencia da televisão, que ainda domina a crítica social da comunicação de massa. (CASTELLS, 1999). "

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

A representação do povo brasileiro na mídia

Os programas apresentados pelos veículos de comunicação trazem uma seleção de conteúdos diversos que representam valores e idéias. Muitos desses programas se dizem "neutros", pois não tem a intenção de representar valores e idéias de um grupo especifico, mas de toda a população. E então perguntamos: é possível fazer seleção sem optar por valores e idéias de um grupo definido? É possível ser neutro? É possível viver sem uma ideologia?

Para exercitar a análise mais de perto essa questão iniciamos uma pesquisa sobre a representação que as escolas fazem de seus alunos e alunos a partir de propagandas em outdoors na cidade de fortaleza, no seguinte link:

viajantesnamidia.blogspot.com
Nas moedas e cédulas brasileiras encontramos imagens diversas que trazem representações da cultura brasileira: encontramos animais silvestres, a Efígie Simbólica da República, Efígie de Pedro Álvares Cabral, Efígie de Pedro Álvares Cabral, Efígie de D. Pedro I - proclamador da Independência, Efígie de Manuel Deodoro da Fonseca, Efígie de José Maria da Silva Paranhos Júnior, entre outras imagens.

Em nossas reflexões pensamos se essas imagens realmente representam nosso povo e cultura, ou se trazem as histórias contadas nos livros e representações de uma história que somos tendenciosamente levados a acreditar desde os tempos inicias de nossa infância nos bancos escolares.

Abaixo elaborei uma sugestão de novas ilustrações para as cédulas brasileiras (meu limitado conhecimento de software para manipulação de imagens não me permitiu desenvolver ainda sugestão para as moedas):

SUGESTÃO DE IMAGENS NAS CÉDULAS BRASILEIRAS

A imagem que proponho nas cédulas brasileiras é a representação do povo desenvolvendo as principais atividades básicas que produziram e/ou ainda produzem as riquezas do país, por isso uma das formas de desenvolver essa representação seriam através dos grupos de trabalhadores e trabalhadores que atuam nas diferentes regiões e nas diferentes frentes de trabalho que abrange a grande maioria da população.

  1. Operários (as)



  1. Agricultor (as)

  1. Escravos (as)

  1. Mineradores

  1. Pescadores



  1. Artesão(a)



  1. Vendedor(a) Ambulante

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Produção de Imagens 2

Em um outro momento fizemos uma produção de fotos de forma improvisada utilizando os recursos disponíveis no campus da univeridade. Nesse momento improvisamos imagens dramáticas::



Qual o interpretação que você dá a essa imagem?

Audiência

A temática da audiência é colocada em foco por Masterman (1993), problematizando a sua importância para a compreensão das mídias da educação. Segundo o autor existem dois motivos principais para que a educação audiovisual tenha desconsiderado o estudo da audiência, o primeiro refere-se a importância dada pela crítica literária ao autor em detrimento ao leitor, tradicionalmente, na qual o autor daria significado ao texto que deveria ser claramente entendido pelo leitor. No segundo motivo, o leitor seria visto apenas como um receptor de mensagens posicionando-se de forma passiva frente às informações.

Outra questão levantada consiste no entendimento de que o estudo da audiência se resumia a seu levantamento quantitativo, desprezando as questões de significações e representações que as envolve.

No decorrer dos estudos sobre audiência foram incorporadas outras reflexões importantes que trouxeram mais clareza para a temática. Inicialmente destacam-se os estudos sobre uso e gratificação, nesta visão defendia-se que os espectadores não eram passivos e definiam as suas necessidades em relação às mídias havendo uma liberdade de escolha dos indivíduos. Nessa perspectiva fica clara a fundamentação psicológica individual que não leva em conta as questões sociais e culturais mais amplas, sendo esse seu ponto mais criticado.

Outros autores avançaram nessa discussão, Morley, Parkin e Hall apresentaram numa visão sociocultural e socioeconômica da relação entre mídia e audiência, na qual se defende a idéia de que existe um predomínio de influência dos diferentes grupos que formam um sociedade na interpretação dos conteúdos das mídias, ultrapassando a idéia de uso e gratificação anteriormente exposta. Existe uma interação entre audiência e os conteúdos apresentados pelas mídias que resulta numa interpretação contextualizada por parte dos grupos e subgrupos de uma determinada cultura. Essa proposição traz conseqüências na forma de entender as mídias, e mais além, entender a própria organização das aulas, que envolvem sujeitos ativos que interagem e interpretam as informações que lhe são apresentadas. Também, apresenta a idéia de que a mensagem da mídia pode ser entendida de várias formas e não somente como apresentada por seu autor. Assim, a mensagem é polissêmica e precisa ser decodificada.

No texto foi apresentado três grandes marcos em que se pode situar a pessoa que decodifica uma mensagem: dominante, negociado e oposto. Esse marco reflete os sistemas de significações dos grupos sociais e mostra a complexidade que envolve a decodificação influenciada pelas posições de classe, raça e gênero. Neste sentido, a educação audiovisual tem o desafio de preparar os (as) alunos (as) para compreender e desnaturalizar questões que envolvem as mensagens midiáticas decodificando e apreendendo seu sentido.

Hobson propõe através de seus estudos que os educadores não desvalorizem os programas dos meios de comunicação populares, como rádio e televisão, mas que busque compreendê-los no sentido de ajudar seus alunos e alunas a decodificá-lo ao invés de criticá-los somente de forma negativa.

Smyth apresenta um estudo sobre a mídia enquanto indústria de consciência fundamentada em Althusser enquanto Aparelho Ideológico do Estado criticando a forte influência das mídias que utilizam estratégias ideológicas para dominar os valores e crenças dos sujeitos. A crítica que se faz a essa proposição é o amplo grau de influência das mídias que não deixa margem para uma mudança significativa frente à dominação que elas exercem, sem nenhuma perspectiva de superação dessa realidade.
Por fim, o autor apresenta duas problemáticas frente a discussão da audiência que é a subjetividade e o prazer. Essas questões são manipuladas pelas ideologias que se apresentam de forma subliminar no cotidiano dos sujeitos, na qual o discurso de liberdade de escolha mascara uma realidade de dominação.


Referência: Masterman, Len: Audiência